Bboy Wesley: 20 anos de breaking até a Usualdance
Bboy Wesley não sabia nomear aquela cena na hora. No finalzinho de 2004, aos 12 anos, ele viu o cunhado dançar pela primeira vez — e não fazia ideia do que aquilo era. Hoje, 20 anos depois, Bboy Wesley é professor de breaking e faz parte da Usualdance. Foi um processo tão gradual que nem ele soube dizer exatamente quando deixou de ser aluno e virou referência pra outros b-boys da cidade.
O dia que o Hip Hop chegou sem avisar
“O Hip Hop para mim não existia antes disso. Eu não sabia o que era rap, DJ, breaking, grafite — não tinha ideia”, conta Wesley. O cunhado, que já dançava, começou a namorar a irmã dele e trouxe junto um mundo novo. “Eu comecei a curtir esse espacinho que ele passava pra minha irmã e falei: me ensina também.” Molecão de 12, 13 anos, energia sobrando, vontade de aprender.
Os primeiros passos vieram devagar: top rock, freeze, um footwork no chão que não saía de jeito nenhum. Aos poucos o cunhado foi passando o repertório — back spin, baby freeze, chair freeze — e Wesley foi decorando cada movimento observando de perto. “Mas com o tempo, muito treino, eu fui melhorando.”
A primeira roda, numa lona estendida na areia
A primeira cypher de Wesley não foi em nenhum palco — foi num clube chamado Asari, aqui em Votuporanga, com uma lona estendida na areia. “Aquilo ali para mim era muito emocionante. É emocionante demais.” Dali em diante, competições, festivais, vitórias, derrotas — e uma paixão que só cresceu.
Mais do que passos, o que ficou foi uma lição: “Ele me ensinou a ser humilde, que é o mais importante no breaking, que eu acho.” Foi ali que Wesley decidiu: “Eu quero isso aqui pro resto da minha vida. E se um dia eu tiver que parar, eu começo tudo de novo.”
De aluno a professor
Vinte anos depois daquela lona na areia, Wesley construiu uma trajetória que passa por produção de eventos (Hip Hop Party, UBC Battle, Soul Connect, entre outros) e mais de dez projetos sociais e culturais em Votuporanga — de escolas públicas a associações beneficentes. Desde 2022, é professor de dança na Emefei Irene Zaneti Fonseca.

“O corpo alcança o que a mente acredita.”
Wesley na Usualdance
Wesley entrou para a Usualdance em novembro de 2025, somando duas décadas de vivência no breaking ao ecossistema da marca.
Bboy Wesley não tinha como imaginar isso em 2004, numa lona estendida na areia: décadas depois, o breaking que ele aprendia escondido virou esporte oficial nas Olimpíadas de Paris 2024. Pra quem viveu a cena desde antes de virar “moda”, a chegada do breaking no maior palco esportivo do mundo é a prova de que aquela cultura nunca foi menor — só demorou pra ganhar o reconhecimento que sempre mereceu.
Entre competições, festivais, vitórias e derrotas, Bboy Wesley aprendeu uma lição que carrega até hoje pros alunos: batalha não é sobre vencer o outro, é sobre superar quem você era na última roda. Foi competindo — e perdendo mais vezes do que gostaria de admitir — que ele testou na prática a humildade que o cunhado tentou ensinar ainda em 2004.
Quando Wesley entrou pra Usualdance, ele já carregava duas décadas de breaking, produção de eventos e sala de aula — bagagem que nenhuma marca constrói do zero em pouco tempo. Pra Usualdance, integrar nomes como o de Bboy Wesley reforça uma aposta clara: quem ensina dança de verdade tem que ter vivido a dança de verdade, não só estudado ela de fora.
O que a trajetória de Bboy Wesley ensina sobre carreira no breaking
A história de Bboy Wesley mostra um caminho que nem sempre aparece quando se fala de breaking: não é só sobre power move e vitória em batalha, é sobre construir renda e reconhecimento a partir da cultura de rua, ano após ano.
Primeiro, ele mostra que não existe idade certa pra começar — Wesley tinha só 12 anos quando viu o cunhado dançar, mas levou anos de repetição, sem pressa, antes de virar referência.
Segundo, ele prova que ensinar é também uma forma de carreira dentro da dança: hoje ele soma sala de aula na rede pública, produção de eventos e projetos sociais, transformando duas décadas de vivência prática em trabalho remunerado e reconhecido.
Terceiro, ele reforça que humildade não é discurso bonito — é estratégia de carreira. Quem chega arrogante numa batalha de breaking não dura muito tempo na cena; quem chega ouvindo, como Wesley aprendeu do próprio cunhado, constrói reputação que atravessa décadas.
Por fim, sua trajetória mostra que rede de apoio multiplica resultado: foi o cunhado quem abriu a porta pra Wesley em 2004, e é a mesma lógica de passar adiante que ele aplica hoje com os próprios alunos e com os projetos sociais que leva pra dentro de escolas públicas de Votuporanga.
O legado que Bboy Wesley constrói em Votuporanga
Passar de aluno a professor não é comum na cena do breaking — boa parte de quem começou nos anos 2000 nunca chegou a dar aula formal dentro de uma escola pública. Bboy Wesley é uma das exceções, e é justamente esse caminho que ele tenta abrir pros próprios alunos: mostrar que viver de breaking como profissão é possível, não só um hobby que dura até os vinte e poucos anos.
É esse mesmo legado que conecta a trajetória de Bboy Wesley à proposta da Usualdance: transformar cultura de rua em carreira sustentável, sem que a raiz do movimento se perca no caminho.
O que Bboy Wesley leva pra sala de aula
Como professor, Bboy Wesley repete pros alunos a mesma lição que aprendeu na lona do Asari: humildade antes de qualquer passo. Nas aulas na Emefei Irene Zaneti Fonseca, ele começa sempre pelo básico — top rock e footwork — antes de deixar qualquer aluno tentar um freeze. “Não adianta querer o power move sem ter o chão redondo”, costuma dizer, repetindo o mesmo caminho que o cunhado usou com ele em 2004.
Fora da sala de aula, Bboy Wesley também leva o breaking pra projetos sociais espalhados por Votuporanga, incluindo escolas públicas e associações beneficentes. A lógica é a mesma que abriu a porta pra ele: mostrar que o Hip Hop não pede talento nenhum pra começar, só vontade — o resto vem com repetição, exatamente como veio pra Bboy Wesley há duas décadas. Pra quem está começando agora, o conselho de Bboy Wesley é sempre o mesmo: aparecer, treinar o básico com calma e não ter pressa pra chegar num power move — a base é o que sustenta o resto da carreira.

De uma lona na areia a mais de mil pessoas acompanhando seu trabalho, a trajetória de Wesley é prova de que o breaking, quando vira paixão de verdade, não para de crescer — parecida com a história de quem também perdeu o medo de dançar e nunca mais parou.
Quer acompanhar de perto o dia a dia de Wesley? Segue ele no Instagram: @bboywesley93.
Artigo escrito por
Fundador da Usualdance
Empreendedor e Dançarino há mais de 25 anos, Bacharel em Educação Física e MBA em Dança, Gestão & Produção Cultural pela Faculdade INSPIRAR. Levou sua trajetória a palcos no Brasil, Portugal, Equador, França e Argentina — com uma carreira consolidada, Ticko segue trabalhando com empresas, artistas e eventos por todo Brasil.

